PS/Açores defende vídeo-interpretação para tornar os serviços públicos acessíveis às pessoas surdas

PS Açores - Há 2 horas

O PS/Açores defendeu hoje, na Horta, que o serviço de vídeo-interpretação em tempo real entre surdos e ouvintes em toda a Administração Pública Regional, torná-la-á mais acessível a todos os Açorianos, salvaguardando o seu direito à inclusão.

Marco Martins, deputado eleito pelo PS, afirmou que “esta proposta fala de inclusão e quando falamos de inclusão, estamos a falar da qualidade da nossa democracia, da forma como organizamos os serviços públicos e, acima de tudo, da capacidade das instituições responderem a todos os cidadãos sem exceção.”

“Uma pessoa surda que não consegue comunicar eficazmente com um serviço público não enfrenta apenas um incómodo administrativo. Enfrenta uma limitação concreta no exercício da sua cidadania. Enfrenta obstáculos no acesso à saúde, à proteção social, à educação, à justiça, à proteção civil, aos serviços públicos mais básicos e, em última instância, à plena participação na vida coletiva”, referiu.

O parlamentar salientou, também, que as associações representativas da comunidade surda, os profissionais da interpretação em Língua Gestual Portuguesa e as entidades que já utilizam os sistemas de vídeo-interpretação convergem numa mesma conclusão: estes instrumentos são úteis e pertinentes.

Marco Martins aproveitou para recordar que este caminho não começou hoje, relembrando que um Governo do PS/Açores, em 2018, implementou no Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores uma solução de vídeo-interpretação que permitiu melhorar significativamente a comunicação com cidadãos surdos em situações particularmente sensíveis.

Contudo, para o socialista, “se a Proteção Civil conseguiu dar este passo, se existem experiências positivas nos CTT, na APAV e noutras instituições, então é legitimo perguntar porque continua a não existir uma estratégia verdadeiramente transversal para toda a Administração Pública Regional.”

O deputado considerou, a este propósito, que persistem insuficiências que importam assinalar: persistem barreiras no acesso aos serviços públicos, verifica-se uma implementação dispersa e desigual, não existe uma política regional integrada, não há um planeamento dos recursos humanos necessários.

“O Governo Regional reconheceu a iniciativa, mas não apresentou uma estratégia clara, um cronograma definido ou uma estimativa dos recursos necessários para a sua concretização. Ora, existe consenso sobre o problema e consenso sobre a solução, aquilo que falta é capacidade de execução,” afirmou.

Marco Martins finalizou, afirmando que “as políticas de inclusão raramente produzem resultados imediatos e visíveis, não cortam fitas ou produzem fotografias, mas transformam vidas e é precisamente por isso que essas políticas são importantes e é por isso que o PS/Açores considera necessário o serviço de vídeo-interpretação na Administração Pública Regional, promovendo a inclusão e a cidadania plena de todos os Açorianos.”